Marcamos a passagem do tempo, em ciclos de anos, com esse grande combinado de renovação coletiva de esperança, chamado reveillon.

Na prática, nada mudou. Mas ainda assim, tudo mudou. Porque somos movidos pela narrativa do ano-novo: “Consegui chegar até aqui. Tenho esperança por dias melhores”. Seguimos tradições, fazemos planos e celebramos o novo tempo que chega com suas possibilidades.

Por que é ano novo?

Nosso calendário foi instituído em 1582, pelo Papa Gregório XIII, quando foi determinado que o início do ano seria marcado no dia primeiro de janeiro. O calendário gregoriano foi criado para corrigir as falhas de cálculo do calendário juliano, instituído em 45 a.C pelo líder romano Júlio César.

Ambos calendários buscam corresponder ao tempo de translação da Terra ao redor do Sol. Porém, apesar das variações sugeridas pelo sistema gregoriano, a cada ano que passa ainda ficamos mais distantes dos ciclos naturais, novamente. O problema é que, contamos como se a Terra levasse 365 dias para dar uma volta ao redor do Sol. Enquanto, na realidade, ela demora 365,24219 dias.

Existem várias outras formas de medição de tempo e celebração de ciclos. Muitos outros calendários baseados nos ciclos lunares, não solares.

Acredita-se que, na antiga Babilônia, o início do novo ano era marcado pela primeira lua nova após o equinócio. O ano novo chinês também é determinado com base no calendário lunar, por isso, cada novo ano é comemorado em um dia diferente. O calendário de 13 luas, inspirado nos calendários maias, considera ciclos de 28 dias e 13 meses, sendo 25 de julho considerado o equivalente à passagem para um novo ano (chamado de dia fora do tempo).

O que poderia ser diferente no futuro?

  • Nossa forma de contar o tempo poderia mudar no futuro? Você vê sinais de mudança apontando para essa direção? Se houver essa possibilidade, ela está em um horizonte de tempo mais próximo ou mais distante? Quais seriam os impactos dessa mudança?
  • Quais são os pontos positivos e negativos da atual narrativa de ano-novo? Tem algo que você faz ou faria de forma diferente?

Construir futuros significa, também, questionar o presente. Praticar Futures Thinking nos ajuda a compreender as origens das narrativas, das convenções e dos costumes que seguimos perpetuando.

Com as esperanças renovadas pela narrativa do ano-novo, desejo que possamos também questionar o presente, imaginar futuros melhores e agir para construção desse mundo novo que esperamos. Feliz 2021!

Thayani Costa

Thayani Costa

Fundadora da Futuros Plurais, praticante de Foresight Estratégico com especialização em Futures Thinking e facilitadora de experiências em Estudos de Futuros.