Estamos muito bem familiarizados com dinâmicas de competição e controle. Mesmo sem perceber, ou questionar, desenvolvemos essas dinâmicas na família, na criação dos filhos, em pequenos círculos sociais e, claro, nas empresas. Aprendemos a competir para construir nossa carreira e salvar nosso ego. E, simultaneamente aprendemos a controlar, para tentar garantir o sucesso.

O problema é que, a necessidade de controle nos escraviza e limita possibilidades e, na dinâmica da competição, sempre haverá um perdedor.

Assim como aprendemos a competir e controlar, é possível aprendermos a colaborar e cuidar.

Colaborar não é o mesmo que trabalhar em equipe. Envolve o cuidado e respeito com cada indivíduo, a valorização de experiências e pontos de vista diversos e começa por aprender a realmente escutar.

Parece simples, mas a maioria das relações nos mostra que não é. Aprender a escutar numa dimensão mais profunda e se conectar com propósitos maiores do que os desejos individuais requer autoconhecimento e vontade genuína de transformação.

E o controle… ele é parceiro da competição e inimigo da colaboração. Tentar manter situações sob controle, ou ainda, manter pessoas, equipes, sob controle, significa, lá no fundo, que não confiamos em nada e ninguém além de nós mesmos.

Para a colaboração acontecer, precisa haver confiança.

As comunicações corporativas estão recheadas de palavras como colaboração, diversidade e empatia. Mas quem está de fato buscando construir ambientes de confiança, respeito e valorização humana?

Pensar em diversidade como a obrigação de não excluir quem é diferente de mim não é suficiente. Quando pudermos, de fato, reconhecer o valor de cada ser humano, assim como a natureza demonstra o valor de cada espécie e seu papel indispensável para a sobrevivência dos ecossistemas, não precisaremos mais falar em inclusão e diversidade. Seremos ecossistemas de pessoas, integrados aos ecossistemas na natureza, cada um cumprindo sua função para que o todo possa se manter em equilíbrio.

A transição das dinâmicas de competir/controlar para dinâmicas de colaborar/cuidar passa por aprendermos a escutar, respeitar e confiar.

Como você acha que podemos construir espaços que favoreçam a escuta, o respeito e a confiança?

Thayani Costa

Thayani Costa

Fundadora da Futuros Plurais, praticante de Foresight Estratégico com especialização em Futures Thinking e facilitadora de experiências em Estudos de Futuros.